O pitch editorial do Spotify é o envio de uma faixa ainda não lançada para consideração editorial, feito por você no Spotify for Artists, com gênero, subgênero, mood, instrumentos, cidade e a história da música. Para fazer, suba o lançamento na distribuidora com antecedência, abra a faixa em "Próximos lançamentos", clique em Pitch e preencha tudo: o próprio Spotify for Artists recomenda enviar com pelo menos 2 semanas de antecedência. O pitch não garante playlist, mas a faixa pitchada entra no Release Radar dos seus seguidores no dia do lançamento.
Pitch não é "mandar a música". É escolher uma faixa foco e entregar contexto.
O que o pitch faz (e o que ele não faz)
Um pitch bem feito trabalha em três frentes:
- Leitura editorial: a faixa chega para consideração dos editores antes de sair.
- Release Radar: a música pitchada entra no Release Radar de quem segue você, no dia do lançamento.
- Algoritmo: o contexto que você preenche alimenta as recomendações algorítmicas.
O que ele não faz: garantir vaga em playlist editorial. Ninguém garante isso. O pitch abre a porta; depois, pesa o comportamento do público.
Quando e como enviar o pitch no Spotify for Artists
- Suba o lançamento na distribuidora com 2 a 4 semanas de antecedência.
- No Spotify for Artists, abra a faixa em "Próximos lançamentos" e clique em Pitch.
- Preencha gênero, subgênero, mood, instrumentos, cultura/cidade e a história da faixa.
- Escreva o contexto real: para quem é a música, em que momento ela se ouve e o que ela entrega.
O pitch anda junto com o pré-save no Spotify, que também abastece o Release Radar. Para a ordem completa, veja o guia de como lançar música independente.
Como escolher a faixa foco: single, EP ou álbum
No single, a faixa foco é a própria música. No EP ou no álbum, a decisão pesa: o pitch editorial do Spotify aceita uma música por lançamento. Você precisa escolher qual faixa representa o projeto e tem mais chance de entrada.
A faixa foco não é a sua preferida. É a que junta melhor narrativa, refrão, retenção, potencial de corte e encaixe editorial. Um critério prático, validado em campanha, é dar nota de 1 a 5 para cada faixa:
| Critério | O que avaliar |
|---|---|
| Gancho | A faixa prende nos primeiros 8 segundos? |
| Refrão | Fica na cabeça depois de uma escuta? |
| Potencial de corte | Tem trecho que vira TikTok, Reels ou Shorts? |
| Encaixe em playlist | Conversa com as playlists do seu subgênero? |
| História | Tem narrativa para contar no pitch? |
Some as notas e pitche a de maior soma, não a de gosto pessoal. No rap e no trap, a faixa foco quase sempre é a de refrão chiclete com linha citável, aquela frase que vira legenda e corte. A faixa de barra técnica pesada costuma render mais como segundo single ou prova de qualidade para os fãs do que como porta de entrada.
As outras viram conteúdo de apoio (Shorts, Canvas, teasers). Evite pitchar a faixa mais "artística" e deixar a mais viralizável sem plano.
Como escrever o pitch com contexto de cena
Na música urbana, a descrição pesa tanto quanto a faixa. Marcar o subgênero (trap, drill, funk mandelão, R&B), a cidade ou quebrada e a cena ajuda o editorial e o algoritmo a colocar a música perto do público certo.
Compare:
- Genérico: "rap nacional".
- Com contexto: "São Paulo / drill / pós-treino / fluxo de quebrada".
Na história, responda três perguntas: para quem é a faixa, em que momento ela toca e o que ela entrega. Não copie o release de imprensa (esse tem outro formato, explicado no guia de release de imprensa e EPK). Um exemplo fictício, só para mostrar o tom:
Drill de São Paulo com 808 pesado e piano sombrio. Fala de sair da quebrada sem esquecer quem ficou. Feita pro fone no busão de madrugada e pro pós-treino. Refrão curto, com uma frase pensada para virar legenda.
No funk mandelão, a lógica é a mesma: cidade, baile, momento de escuta. Específico sempre ganha de genérico. No Label Manager, a IA escreve o rascunho do pitch a partir do contexto do seu lançamento; você revisa, ajusta com a sua voz e cola no Spotify for Artists. O envio continua sendo seu.
Os três caminhos de descoberta no Spotify
Playlist editorial é só um dos caminhos. O Spotify trabalha com três:
- Editorial: a curadoria das playlists da plataforma, onde o pitch atua.
- Algorítmico: recomendações personalizadas, como Radio, Autoplay e Discover Weekly.
- Seguidores e escuta ativa: fãs que salvam, repetem, adicionam na playlist pessoal e recebem você no Release Radar.
Pelos dados oficiais do Spotify, 33% das novas descobertas de artista acontecem em sessões personalizadas, e a maioria dos streams vem de escuta ativa. A campanha precisa gerar comportamento de fã, não só clique: salvar, seguir, repetir e adicionar à playlist alimentam algoritmo e curadoria mais que o número bruto de plays.
Seguir tem efeito composto. Segundo o Spotify, quem segue um artista tem cerca de 3 vezes mais chance de ouvi-lo nos 6 meses seguintes. Troque o "ouça agora" por um pedido claro por peça: "salva aí que esse é hino", "segue o mano que vem mais coisa".
Depois do lançamento, acompanhe a origem dos streams no Spotify for Artists toda semana e compare a faixa foco com as demais nos primeiros 7 e 28 dias (streams, saves, skip rate). O guia de pós-lançamento mostra o que fazer com esses números. No Label Manager, você registra os pitches enviados e importa os números de streaming via CSV; dá para criar uma conta grátis ou ver os planos.
Discovery Mode e Marquee: ferramentas pagas, com transparência
O Spotify também tem ferramentas pagas. Nenhuma substitui o pitch, e as duas têm custo real.
Discovery Mode
Você marca faixas para o Spotify priorizar em Radio e Autoplay. Em troca, o Spotify fica com 30% dos royalties de gravação dos streams influenciados: você recebe menos por stream enquanto a ferramenta está ligada. Na fase beta, é para equipes com pelo menos 25.000 ouvintes mensais.
Faz sentido no hit de catálogo, a faixa que já segura ouvinte. Evite ligar em faixa nova sem retenção esperando viralizar barato. Acompanhe 28 dias e calcule o líquido: se o ganho em ouvintes não compensa a margem perdida, desligue.
Marquee e Showcase
São recomendações patrocinadas dentro do Spotify (Marquee em tela cheia, Showcase no feed), cobradas por clique ou alcance, para quem já ouviu você ou sons parecidos. A elegibilidade pede pelo menos 1.000 streams nos últimos 28 dias no mercado-alvo e, no Marquee, 5.000 ouvintes ativos mensais nesse mercado, com a campanha começando em até 21 dias do lançamento. Para artista muito pequeno, a verba rende mais em creators e cortes orgânicos.
Pitch no Apple Music e no Deezer
O "envia e espera" é coisa do Spotify. Nas outras, o caminho muda:
| Plataforma | Como o pitch chega | Antecedência | Onde mais trabalhar |
|---|---|---|---|
| Spotify | Por você, no Spotify for Artists (1 faixa por lançamento) | Pelo menos 2 semanas (ideal: 2 a 4) | Pré-save, save, follow e Release Radar |
| Apple Music | Via distribuidora, selo ou representante | Pergunte à sua distribuidora | Pre-add, Shazam, links e QR oficiais |
| Deezer | Via distribuidora ou representante | Cerca de 7 dias | Flow e perfil no Deezer for Creators |
Apple Music: não existe pitch self-service equivalente ao do Spotify. Na prática, a consideração editorial passa por relacionamento: distribuidora, selo ou representante apresentando o lançamento à Apple. Pergunte se a sua distribuidora tem esse canal e entregue material pronto (bio, foto, história, faixa foco). Sem canal, trate o editorial da Apple como bônus e foque no que você controla: pre-add, Shazam e os links e QR codes do Apple Music for Artists.
Deezer: a Pitching Tool da Deezer é exclusiva de contas Label/Provider, então artista e manager enviam pelo representante. Boa parte da descoberta vem do Flow, a recomendação personalizada, que recompensa ouvir até o fim, curtir e não pular. Antes de investir energia, confira nos seus dados se o seu público está mesmo lá.
Nos dois casos, inclua Apple Music e Deezer no smart link: parte do seu público não usa Spotify.